Ano: 2017 e 1028
Onde: Teatro Viradalata e Teatro FAAP (São Paulo – SP)
Indicada ao Prêmio Shell de Melhor Iluminação

Considerada uma ‘tragédia carioca’, de acordo com a célebre classificação do crítico teatral Sábato Magaldi para a obra de Nelson Rodrigues (1912-1980), A Serpente foi a última e mais curta peça escrita pelo “anjo pornográfico”, alcunha criada pelo próprio dramaturgo e jornalista pernambucano. Mesmo com apenas um ato, a peça de 1978 não deixa de criar polêmica ao retratar o amor de duas irmãs pelo mesmo homem.

Elas juraram nunca se separar e moram juntas na mesma casa com seus respectivos maridos. Lígia (Carolina Lopez) decide se suicidar porque tem um casamento infeliz – e não consumado – com Décio (Paulo Azevedo), que diz sofrer de impotência, mas, na verdade, tem um caso com outra mulher. Para evitar que a irmã fizesse isso, Guida (Fernanda Heras) tem a ideia de emprestar Paulo (Juan Alba), o próprio marido, para ela por uma noite. O que Guida não esperava era que Lígia se apaixonaria por ele, muito menos que esse erro poderia resultar até em morte.

“Nelson Rodrigues tem uma capacidade impressionante de nos deixar constrangidos com nossa própria miséria e obtusidade. Sua obra deitada no papel é um espelho cruel de nossa face horrorizante. Ele é e será sempre bem-vindo em qualquer período de obscurantismo e miséria intelectual. Se, por vezes, ele parece ser machista, cuidado. Se, por vezes, ele parece ser racista, cuidado novamente. É provável que estejamos apenas olhando para um espelho. E o que fazemos com Nelson nesses momentos, sem conseguirmos compreender que é provável que estejamos olhando para nossa própria face?”, comenta o diretor Eric Lenate.

“Como ‘a serpente no jardim’, Nelson nos encara de frente com seu olhar provocador. Seria ele a tal da serpente do título de sua peça? O ser ardiloso que por alguns é visto como símbolo do mal e por outros visto como símbolo de esperança, renascimento e renovação? Essa dúvida nos abriu os olhos para a compreensão de novas possibilidades e o trato com nossa encenação foi regido pela ‘Serpente-Nelson’ e pela seguinte pergunta capital: Até quando vamos continuar arruinando nossa humanidade?”, finaliza o diretor.

Ficha Técnica

Autor – Nelson Rodrigues
Elenco - Carolina Lopez, Fernanda Heras, Mariá Guedes, Juan Alba e Paulo Azevedo
Direção – Eric Lenate
Diretora assistente – Erica Montanheiro
Iluminação – Aline Santini
Figurinos e Visagismo – Rosângela Ribeiro
Trilha Sonora Original, Sonoplastia e Engenharia de Som – L. P. Daniel
Arquitetura Cênica – Eric Lenate
Direção de Produção – Maristela Bueno
Coordenação Administrativa – Daniel Torrieri Baldi
Produção Executiva – Priscilla Lima
Diretor de Palco – Augusto Vieira
Assistentes de Figurino – Aline Olegário e Natália Hirata
Costureira – Vera Luz
Assistente de Iluminação e Operação Técnica – Nicolas Manfredini
Assistente de Sonoplastia e Operação Técnica – Rodrigo Florentino e Priscilla Camargo
Suporte Técnico (Tango) – Ronaldo Gutierrez
Montador Cenotécnico – Tom Silva
Fotografia artística – Leekyung Kim
Design gráfico – Alexandre Muner
Assessoria de imprensa – Pombo Correio
Assessoria contábil – Eduardo Belvedere

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